quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MENSALÃO - "Valério, braço erguido, punho cerrado"( artigo de O ESTADÃO)

O governo e o PT difamam, mas nada fazem de concreto contra o ‘tribunal de exceção’. A estratégia do Planalto e do partido é provocar um alarido pontual

DEMÉTRIO MAGNOLI
O ESTADÃO
Marcos Valério reencontrou-se com José Dirceu e José Genoino no avião da Polícia Federal estacionado na Base Aérea da Pampulha, em Belo Horizonte. Braço esquerdo erguido, punho cerrado, o operador principal do mensalão virou-se para os fotógrafos enquanto subia as escadas da aeronave. Na sua conta do Twitter, ele também se declarou um preso político.
Não, a notícia acima não saiu em nenhum jornal — porque não aconteceu. Valério não teve o senso de humor para reproduzir o gesto das duas lideranças petistas. A Ação Penal 470 é alvo de uma curiosa narrativa emanada do PT: os implicados no esquema são “presos políticos” injustiçados, nos casos de dirigentes do partido, mas presos comuns condenados por crimes de corrupção, nos casos dos operadores financeiros do mensalão. Entretanto, essa duplicidade mais aparente, e um tanto desmoralizante, é apenas a superfície. Atrás das fotografias dos condenados de braço erguido e punho cerrado elabora-se uma segunda duplicidade de consequências danosas para as instituições democráticas.
O gesto de Dirceu e Genoino pode ser interpretado como simples compensação psicológica. Eles sabem que a mitologia política que os cerca, de combatentes pela liberdade, foi inapelavelmente destroçada pelas condenações. Quando erguem os braços e cerram os punhos, estão fabricando uma autoilusão: a ideia de que o passado se repete e, uma vez mais, um sistema opressivo persegue os justos. As imagens que geraram no dia das prisões são cenas de um filme antigo, apenas em versão de pastelão. A democracia pode viver com elas — e, também, com as patéticas opiniões dos seus protagonistas sobre a natureza do julgamento que tiveram no STF.
Contudo, o gesto farsesco de Dirceu e Genoino é mais que isso, pois faz parte de uma encenação política que envolve o PT e o governo. A rede de porta-vozes informais do PT cantou em uníssono a melodia do “julgamento político”, reverberando uma nota oficial do partido assinada por Rui Falcão. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, um ex-presidente do PT, escreveu um artigo com a mesma acusação. Dilma Rousseff compareceu a um congresso do PCdoB e levantou-se para aplaudir a acusação contra o STF que, previsivelmente, coroou o evento. Até mesmo as autoridades têm o direito, comum a todos os cidadãos, de dissentir de decisões da mais alta corte do país. Coisa diferente, inaudita nas democracias, é a participação do governo numa campanha de difamação do tribunal supremo.
Eis a duplicidade de fundo: o governo e o PT difamam, mas nada fazem de concreto contra o “tribunal de exceção”. A estratégia do Planalto e do partido é provocar um alarido pontual, incapaz de transbordar o estreito limite das notas públicas e dos artigos de encomenda dos “companheiros de viagem”. Lá atrás, na hora das condenações originais, setores da esquerda petista quase imploraram à direção partidária por manifestações públicas de confrontação com o STF. Conseguiram unicamente meia dúzia de atos simbólicos, esvaziados, em auditórios fechados. Seguindo uma orientação de Lula, a direção do PT definiu a reeleição de Dilma Rousseff como prioridade imperiosa — e desautorizou a projetada campanha contra o tribunal, com suas perigosas repercussões eleitorais.
O jogo duplo é notório, escandaloso. Diante de um “julgamento político”, o governo de uma democracia estimularia apelos às cortes internacionais. O governo brasileiro nem sonha com uma iniciativa desse tipo, acalentada apenas pelos próprios advogados dos condenados. Perseguidos por um “tribunal de exceção”, os dirigentes petistas condenados procurariam obter asilo político junto a governos amigos, na Venezuela, no Equador ou em Cuba. O PT, porém, indicou que eles deveriam se entregar — e abandonou à própria sorte o operador secundário na sua aventura solitária de fuga para a Itália. O ruído deve se esgotar em si mesmo, deixando no seu rastro uma desmoralização ainda maior dos intelectuais públicos que se prestam ao papel de fusíveis de crise.
O alarido verbal atende a táticas jurídicas prosaicas e expressa cálculos políticos específicos, mas também reflete motivações de fundo. Num plano prático, serve para pressionar o STF a executar as penas dos condenados célebres em regimes mais brandos, como a prisão domiciliar. Na esfera do jogo político, funciona como um prêmio de consolação para a esquerda petista e, ainda, como um expediente destinado a dourar a biografia partidária. Contudo, no universo ideológico, evidencia a dupla alma do lulopetismo, que obteve seus maiores triunfos graças à democracia, mas continua a desconfiar de um sistema apoiado no princípio do pluralismo.
Nos tempos de João Goulart, o governo acusava o Congresso de representar os interesses das elites e impedir o avanço das “reformas de base”. As palavras converteram-se em atos, originando manifestações públicas oficialistas contra o Poder Legislativo — e a turbulência resultante serviu como pretexto para a ruptura da ordem democrática. O lulopetismo segue trajetória similar, apenas substituindo o Congresso pelo STF, mas, prudentemente, circunscreve suas ações ao palco da retórica. Lula enviou aos companheiros condenados uma decepcionante mensagem de solidariedade e anuncia que falará coisas extraordinárias tão logo se conclua todo o julgamento. Enquanto isso, por trás do pano, sopra aos dirigentes petistas o recado de que nada deve atrapalhar a marcha normal da campanha da reeleição.
Melhor assim, claro. Entretanto, sempre é bom lembrar que as palavras — e os gestos — têm sentido. As imagens de Dirceu e Genoino de braço erguido e punho cerrado valem tanto quanto a imagem faltante, de um Valério espirituoso na mesma postura. O governo é outra coisa: quando as autoridades desafiam a legitimidade do STF, estão dizendo que a democracia não passa de uma ferramenta descartável
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EDUCAÇÃO - Malala dedica prêmio Sakharov a 'heróis sem nome do Paquistão' ( O ESTADÃO)

Paquistanesa recebeu o prêmio para Liberdade de Pensamento no Parlamento Europeu

O Estado de S. Paulo
ESTRASBURGO, FRANÇA - A paquistanesa Malala Yousafzai, baleada pelo taleban no ano passado por lutar pelos direitos de meninas à educação no Paquistão, recebeu nesta quarta-feira, 20, o prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento no Parlamento Europeu. "Algumas crianças não querem X-Box, iPhone e nem chocolate, querem um livro e uma caneta para irem ao colégio", disse ao receber o prêmio.
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Malala dedica prêmio a paquistaneses - Patrick Seeger/Efe
Patrick Seeger/Efe
Malala dedica prêmio a paquistaneses
Diante do olhar de seu pai, o professor Ziauddin Yousafzai, que a encorajou a escrever o blog para denunciar os problemas das meninas no Paquistão, Malala aproveitou a ocasião para reivindicar a atenção da União Europeia às milhares de crianças que não têm acesso à educação.
Malala dedicou o prêmio, que leva o nome do dissidente e cientista soviético Andrei Sakharov, "aos heróis sem nome do Paquistão e a todos os que lutam pelos direitos e as liberdades".
A menina se mostrou segura e começou o discurso brincando sobre sua estatura e a do palanque que subiu para se dirigir aos presentes no plenário. "Coloquei saltos e espero que possam me ver bem."
Malala lamentou o fato das meninas de seu país "sofrerem frequentemente assédio sexual e não poderem sair da frente do perímetro de sua casa". "É preciso mudar de mentalidade. Um país não é mais forte pelo número de soldados que tem, mas por seu índice de alfabetização."
A menina passou a estudar em Londres após receber tratamento médico após o atentado do Taleban e citou o filósofo Voltaire em seu discurso. "Não estou de acordo com o que dizem, mas defenderei até a morte vosso direito de dizer."
O presidente do PE, Martin Schulz, que entregou o prêmio, destacou que Malala mesmo sendo uma adolescente "já é um ícone global na luta pela educação das meninas". Schulz também citou uma passagem do livro de memórias "Eu Sou Malala", no qual a jovem afirma: "Não quero ser conhecida como a menina que sobreviveu a um ataque taleban, mas a menina que luta pela educação. Quero dedicar minha vida a esta causa."/ EFE
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Milton Santos - um dos maiores geógrafos da história ( BRASIL ESCOLA)

Milton Santos foi um dos maiores geógrafos da história do pensamento geográfico

O geógrafo Milton Santos¹ 
O geógrafo Milton Santos¹

Milton Santos foi um geógrafo brasileiro, considerado por muitos como o maior pensador da história da Geografia no Brasil e um dos maiores do mundo. Destacou-se por escrever e abordar sobre inúmeros temas, como a epistemologia da Geografia, a globalização, o espaço urbano, entre outros.
Conquistou, em 1994, o Prêmio Vautrin Lud, o Nobel de Geografia, sendo o único brasileiro a conquistar esse prêmio e o primeiro geógrafo fora do mundo Anglo-Saxão a realizar tal feito. Além dessa premiação, destaca-se também o prêmio Jabuti de 1997 para o melhor livro de ciências humanas, com “A Natureza do Espaço”. Foi professor da Universidade de São Paulo, mas lecionou também em inúmeros países, com destaque para a França.

A obra de Milton Santos caracterizou-se por apresentar um posicionamento crítico ao sistema capitalista e aos pressupostos teóricos predominantes na ciência geográfica de seu tempo. Em seu livro “Por uma Geografia Nova”, em linhas gerais, o autor criticou a corrente de pensamento Nova Geografia, marcada pela predominância do pensamento neopositivista e da utilização de técnicas estatísticas.

Diante desse pensamento, propôs – fazendo eco a outros pensadores de seu tempo – a concretização de uma “Geografia Nova”, marcada pela crítica ao poder e pela predominância do pensamento marxista. Nessa obra, defendia também o caráter social do espaço, que deveria ser o principal enfoque do geógrafo.

Um dos conceitos mais difundidos e explorados por esse geógrafo foi a noção de “meio técnico-científico informacional”, que seria a transformação do espaço natural realizada pelo homem através do uso das técnicas, que difundiram graças ao processo de globalização e a propagação de novas tecnologias.

Sobre a globalização, Milton Santos era um de seus críticos mais ferrenhos. Em uma de suas mais célebres frases, ele afirmava que “Essa globalização não vai durar. Primeiro, ela não é a única possível. Segundo, não vai durar como está porque como está é monstruosa, perversa. Não vai durar porque não tem finalidade”.

Em uma das suas obras mais difundidas pelo mundo – Por uma outra globalização –, muito lida por “não geógrafos”, Milton Santos dividiu o mundo em “globalização como fábula” (como ela nos é contada), “globalização como perversidade” (como ela realmente acontece) e “globalização como possibilidade”, explorando a ideia de uma outra globalização.

Além disso, o geógrafo proporcionou uma fecunda análise a respeito do território brasileiro, abordando as suas principais características e inserindo a produção do espaço no Brasil sob a lógica da Globalização. Nessa obra, de mais de 500 páginas, propôs, inclusive, uma nova regionalização do Brasil, dividido em quatro grandes regiões.

Milton Santos faleceu em 24 de junho de 2001, vítima de complicações proporcionadas por um câncer, aos 75 anos. Deixou uma vasta obra, com dezenas de livros e uma infinidade de textos, artigos e capítulos. Seu pensamento ainda é considerado atual e muitas das críticas dos movimentos antiglobalização fundamentam-se em suas ideias
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Violência tira 1,73 ano de vida de negros (AGENCIA ESTADO)

LISANDRA PARAGUASSU
Agência Estado
A expectativa de vida de um homem negro no Brasil é 1,73 ano menor do que deveria ser por causa da violência - o valor é mais do que o dobro da perda dos homens brancos. Os dados, levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que, a cada três homicídios no Brasil, em dois a vítima é negra.

Para além das causas socioeconômicas, a maior razão das mortes violentas dos negros, diz a pesquisa, é o racismo. Informações sobre mortalidade do Censo 2012, usadas pelos pesquisadores, mostram que a taxa de mortes violentas entre os negros é de 36 mortes por 100 mil. Entre os não negros, de 15,2.

A principal conclusão da pesquisa é que a cor aumenta a vulnerabilidade dos negros, que correm 8% mais riscos de se tornar em vítimas de homicídio do que um homem branco, ainda que nas mesmas condições de escolaridade e características socioeconômicas.

"O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Essas discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população", diz o estudo. Variáveis como educação, emprego, renda e localização do domicílio explicariam, segundo o estudo, apenas 20% da diferença no número de mortes entre negros e brancos. O restante estaria ligado à cor da pele. 

No Espírito Santo, por exemplo, homens negros perdem 5,2 anos em sua expectativa de vida e, na Paraíba, 4,8 anos. Nos dois casos, a queda na expectativa de vida do grupo é causada basicamente por homicídios.

Protesto

Para protestar em São Paulo contra a violência que atinge "pretos, pobres e periféricos", sai nesta quarta-feira, 20, da Avenida Paulista a Marcha da Consciência Negra, com destino ao Teatro Municipal. Entre os organizadores está o professor universitário Ailton dos Santos, de 46 anos. Ele é negro e morador do Mandaqui, na zona norte.

Santos calcula que já tenha perdido 50 amigos assassinados. "Ao menos 40% dos meus amigos de infância e adolescência morreram", diz. Há quatro meses, quando andava pelos Jardins, foi abordado por policiais, que perguntaram: "O que está fazendo aqui?". Foi uma entre as mais de 30 abordagens constrangedoras que já recebeu.
 ATRAÇÕES DO FERIADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM S. PAULO

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Para ministro do STF, Lula sabia do mensalão ( BLOG DO JOSIAS )


O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, disse acreditar que Lula sabia da existência do mensalão. “Eu não posso imaginar que alguém atilado como é o ex-presidente Lula, safo como eu disse, não tivesse conhecimento do que estava ocorrendo na República”. Na versão do delator Roberto Jefferson, Lula teria vertido lágrimas ao ser comunicado por ele da existência do esquema. Em entrevista ao blog, Marco Aurélio levou o pé atrás: “Será que durante os oito anos [de mandato] ele delegou tanto a chefia do governo?”
Marco Aurélio recebeu o repórter na tarde desta segunda-feira (18) no seu gabinete no Tribunal Superior Eleitoral. Nesta terça-feira (19), ele assumirá pela terceira vez a presidência da Corte máxima da Justiça Eleitoral. Disse esperar que a Câmara casse os mandatos dos deputados federais condenados no julgamento do mensalão. “Eu não concebo que, em se tratando de um crime contra a administração pública, vindo à tona uma decisão condenatória, o condenado continue exercendo o mandato político.”
O ministro realçou que uma das consequências da execução da pena é “a suspensão dos direitos políticos” do condenado. “Logicamente, quem está com os direitos suspensos não pode exercer o mandato”, enfatizou o entrevistado. Marco Aurélio reconheceu que houve uma “involução” do STF nessa matéria. Ao julgar outro processo, envolvendo o senador Ivo Cassol (PP-RO), o tribunal entendeu, por 6 votos a 5, que não cabe ao Judiciário “declarar a perda do mandato político”. Ainda assim, ele defende a cassação automática.
Para Marco Aurélio, não caberia à Mesa diretora da Câmara senão “constatar o fato, conferir a documentação do fato e, diante de uma decisão do Supremo, simplesmente proclamar a perda” do mandato. “Nós temos o exemplo [de Natan] Donadon que, condenado a 13 anos, continua ainda titular do mandato”, afirmou o ministro antes de manifestar sua expectativa de que a Câmara não irá permitir que se forme uma bancada da Papuda. “A cobrança da sociedade, ante o acompanhamento da imprensa, é muito rígida. E o nosso Congresso está a dever satisfações à sociedade.”
Instado a comentar a nota em que o PT criticou o julgamento do mensalão e as afirmações dos petistas José Dirceu e José Genoíno de que são “presos políticos”, Marco Aurélio afirmou: “É o direito de espernerar. Condenados nunca ficam satisfeitos com condenação.” Segundo ele, o STF chegou às condenações guiando-se exclusivamente pelas provas. “Não houve ficção jurírica.” Lembrou que a maioria dos ministros do Supremo “foi nomeada pelo governo do PT”. E ironizou: “Há alguma coisa que não fecha nesse sistema.”
Quais serão os efeitos do julgamento do mensalão na sociedade e no compartamento dos políticos?, indagou o repórter. E Marco Aurélio: “A percepção de que a lei é linear, vale para todos.” Afasta-se do cenário, na opinião do ministro, “a sensação de impunidade”. Quanto aos “homens públicos, ficarão um pouco mais espertos. Voltarão os olhos para servir a partir do cargo e não para se servirem do cargo, visando vantagens pessoais.”
Recordou-se a Marco Aurélio que, enquanto o STF julgava o mensalão, proliferaram os casos de corrupção —a máfia dos fiscais na prefeitura paulistana, as propinas e a a formação de cartel no metrô de São Paulo, os desvios de verbas nos ministérios, por meio de ONGs… Ele afirmou que “muitos julgamentos” como o do mensalão terão de ocorrer para que a corrupção seja inibida.
“Esses são casos que afloraram”, disse Marco Aurélio. “E os que não afloram, que ficam debaixo do tapete, como se costuma dizer?” Otimista, o ministro disse crer que “um dia nós teremos um contexto bem mais sadio em termos de cultura no Brasil.” Avalia que, para que isso ocorra, são essenciais as atuações da imprensa, do Ministério Público, da Polícia Federal e do próprio Judiciário, que precisa atuar “a tempo e modo, pouco importando o envolvido.”
Tomado pelas palavras, o ministro não parece tão otimista quanto ao julgamento dos embargos infringentes, previsto para o ano que vem. Receia que o STF altere condenações pelo crime de formação de quadrilha ao julgar recursos impetrados por réus como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Deve-se o temor à alteração da composição do tribunal a partir da aposentadoria dos ministros Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto, substituídos por Teori Zavascki e Luíz Roberto Barroso.
A mudança já se materializou no julgamento do processo que envolve o senador rondoniense Ivo Cassol. “Houve uma dispersão de votos quanto à configuração da quadrilha”, admite Marco Aurélio. Caminha-se para um cenário em que a maioria do plenário pode enxergar mera “coautoria” onde antes via formação de quadrilha. Algo que, na opinião de Marco Aurélio, ateará decepção na opinião pública. “Como cidadão, eu ficarei desapontado” se, “depois de a Corte maior do país ter batido o martelo num certo sentido, vir a dar o dito pelo não dito”, permitindo que condenados como Dirceu migrem “do regime fechado para o semiaberto.”
Conforme já antecipado aqui no início da noite passada, Marco Aurélio fez críticas à maneira como o presidente do STF, Joaquim Barbosa, implementou os primeiros pedidos de prisão do mensalão. “Não havia motivo para o açodamento”, declarou. “Eu teria aguardado a segunda-feira, sem dúvida alguma”. Estranhou a transferência dospresos de São Paulo e Belo Horizonte para Brasília. “Para quê? Para depois eles retornarem à origem?”
O ministro desaprovou também a demora no envio à Vara de Execuções Penais do DF das “cartas de sentença”, documentos que detalham a situação de cada preso. E classificou de “impensável” o fato de condenados ao regime semiaberto terem sidopresos em regime fechado, ainda que por poucos dias.
Noutro trecho da entrevista, Marco Aurélio reiterou suas críticas ao temperamento mercurial de Joaquim Barbosa. “Nós não podemos permitir que a discussão descambe para o campo pessoal. E foi isso que ocorreu várias vezes. Digo mais: se não houvesse tantos incidentes, nós teríamos terminado esse processo muito antes.” Na sua opinião, falta “urbanidade” a Barbosa. “Hoje, penso que é pacífico que ele não é bom no diálogo”, “não convive bem com a divergência.” Numa autoavaliação, Marco Aurélio disse que aprendeu a lidar a controvérsia na sua própria casa. “Eu sou flamenguista e minha mulher é Fluminense.
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EDUCAÇÃO INTEGRAL - Escolas abrem o leque de atividades GAZETA DO POVO)

Brunno Covello/ Gazeta do Povo /
Competindo com esportes tradicionais, opções de aulas extracurriculares inovadoras atraem alunos e ajudam a desenvolver outras habilidades
Publicado em 19/11/2013 | JÔNATAS DIAS LIMA

Diante da crescente discussão sobre a implantação de um currículo escolar unificado em tempo integral, a expansão do leque de atividades extracurriculares mostra-se uma opção mais simples de ser adotada pelas escolas. Em colégios particulares, a variedade de opções torna-se maior, mas esportes tradicionais – como futebol e vôlei – ainda são os prediletos de crianças e adolescentes. Paralelamente, inovações surgem como diferenciais que encantam alunos e costumam ser usadas como ferramentas de marketing na batalha das escolas contra a concorrência.
No Colégio Santa Maria, por exemplo, há 40 opções de atividades à disposição. Algumas delas, como coral, dança, alongamento e pilates, também são voltadas para a participação dos pais. Além da preocupação de abranger diversas áreas do desenvolvimento, muitas atividades são lançadas a partir de um levantamento de intenções feito pelo colégio, explica Anderson Retechucki, supervisor do Núcleo de Atividades Complementares da instituição.
Aula de circo para interagir e desenvolver parte motora
Rafaela Beltrami Koppe (foto), 6 anos, começou a fazer aulas de Circo no Colégio Sion neste ano e elas são, sem dúvida, o momento preferido na rotina escolar dela. A atividade dá tranquilidade ao pai, o advogado Gerald Koppe, por saber que a filha está em um lugar seguro para praticar exercícios que desenvolvem muito as habilidades motoras. “Trabalha força física, equilíbrio, flexibilidade. É supercompleto”, diz. Segundo ele, as aulas trouxeram outra evolução notável no comportamento de Rafaela. Como as tarefas exigem convívio com crianças de diferentes idades, a menina se tornou mais hábil em socializações.
Escolha
Saiba o que ava­liar na hora de esco­lher atividades extracurri­culares para o seu filho:
Carga horária
Crianças têm muita energia, mas não é saudável gastá-la apenas em ações guiadas. Elas precisam de tempo livre para desenvolver a própria criatividade. Não existe, no entanto, uma receita ideal do número de horas usadas para atividades extraclasses. Depende do que ela faz e do quanto se cansa fazendo.
Relevância
Esportes, em especial, tendem a ser sempre boas escolhas pelo benefício que trazem à saúde e pelas habilidades físicas estimuladas e desenvolvidas – que se tornam cada vez mais importantes à medida que os filhos crescem. Opções mais lúdicas merecem mais atenção na análise dos pais. Se a criança já desenvolve a mesma atividade em casa, espontaneamente, talvez seja o caso de buscar algo diferente. Oficinas de pintura e massa de modelar, por exemplo, entram nessa categoria.
Preferência
Crianças, de uma forma geral, tendem a gostar da escola mais pelos amigos que fazem do que pelas aulas que têm. Assim, como a atividade extracurricular não é obrigatória, parece justo respeitar a preferência do estudante para que a opção escolhida não se torne mais horas a serem toleradas e não aproveitadas.
Preço
Pagar quantias exorbitantes por atividades praticáveis em outros lugares – com preço menor ou de graça –, só pela comodidade de não precisar tirar o aluno da escola, quase sempre não compensa financeiramente. Caso não se importe em gastar um pouco mais de tempo com o deslocamento para outro lugar, vale o esforço.
Fontes: pedagogas Paulla Helena Silva de Carvalho, da UniBrasil, e Alexandra Lima, do Centro de Educação João Paulo II.
Para 2014, por exemplo, o colégio lançará cinco novas atividades, algumas pouco conhecidas, como zumba, jogos motrizes e lúdico esportivo, aulas que mesclam habilidades esportivas com recreação. Embora despertem a curiosidade, opções inovadoras ainda não tendem a atrair tantas matrículas quanto as atividades físicas tradicionais. “As opções mais procuradas são futsal, ginástica artística e dança”, diz Retechucki.
No Colégio Bom Jesus – Nossa Senhora de Lourdes, os esportes também têm a preferência da comunidade escolar, mas as aulas de robótica com conjuntos de Lego automatizados são concorrentes de peso. “Iniciamos esse projeto há dois anos e os alunos adoraram porque são peças superinterativas”, diz Cleide Barbosa Machado, gestora da unidade. Os bonecos são montados com engrenagens, correntes, sensores de toque e processadores programáveis.
Já o desenvolvimento das crianças a partir de atividades lúdicas faz parte das apostas do Colégio Sion, que, entre outras opções, oferece aulas de circo a turmas com até 25 alunos. “O circo é uma atividade que trabalha com todo o corpo e explora muitas possibilidades”, defende o professor Marco Antonio Fonseca. Em suas aulas, os alunos praticam malabarismo, contorcionismo, saltos e têm contato com vários aparelhos circenses.
Cautela
De acordo com a professora Paulla Helena Silva de Carvalho, coordenadora do curso de Pedagogia nas Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil), as atividades extracurriculares são benéficas, desde que não sejam responsáveis pelo esgotamento do aluno e sobrecarreguem o orçamento dos pais. “É evidente que essas atividades em contraturno são uma importante fonte de renda para as escolas. Os pais precisam analisar com cautela quais opções realmente valem a pena para não pagar o dobro da mensalidade.”
Rede pública inclui aulas no ensino integral
Na rede pública de ensino, as atividades extracurriculares feitas no contraturno frequentemente são consideradas como parte do ensino integral oferecido à comunidade e possuem número limitado de vagas.
Nas escolas municipais de Curitiba, as atividades são chamadas de projetos educacionais e se dividem em cinco temáticas: arte e cultura; esporte e lazer; direitos humanos e cidadania; meio ambiente; e saúde, alimentação e prevenção. Embora a Secretaria Municipal da Educação trabalhe com uma lista de opções em cada temática, as escolas são autônomas para desenvolver os próprios projetos.
Na rede estadual, as aulas extras também são divididas em macrocampos semelhantes aos da grade municipal, com acréscimo de cultura digital, educomunicação e educação econômica. Em 266 das 2.148 escolas, as atividades ocorrem por meio do programa federal Mais Educação e, em outras 320, o financiamento das atividades é feito pelo governo estadual.
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Literatura - As crônicas íntimas de Luís Henrique Pellanda (GAZETA DO POVO)


Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Jonathan Campos/ Gazeta do Povo / Luís Henrique Pellanda, escritorLuís Henrique Pellanda, escritor
Asa de Sereia, novo livro do cronista curitibano, mostra um autor maduro que sabe cativar e comover os leitores em suas narrativas urbanas
Publicado em 19/11/2013 | SANDRO MOSER
“O cronista precisa causar uma espécie de comoção e criar intimidade com o leitor. Você tem que movimentar alguma coisa no leitor ou movê-lo junto com você”, defende o escritor Luís Henrique Pellanda.
Para o autor curitibano, que lança hoje, às 19 horas, na Livraria da Vila, seu novo livro, Asa de Sereia não tenta provocar uma reação sentimental, “fazer chorar ou arrancar sorrisos”.
Lançamento
Asa de Sereia
Luís Henrique Pellanda. Arquipélago Editorial, 208 págs., R$ 35. Crônicas. Sessão de autógrafos do livro hoje, às 19 horas, Livraria da Vila do Shopping Pátio Batel (Av. do Batel, 1.886, segundo piso), (41) 3020-3500. Entrada franca.
“É realmente tentar colocar o leitor para pensar sobre a história que você contou. Na crônica, você precisa puxar a cadeira e dizer ‘senta aí, vamos conversar’. Todo brasileiro gosta de conversar. Mesmo o curitibano”, afirma.
Neste seu segundo livro do gênero – o primeiro, Nós Passaremos em Branco, foi lançado em 2011 – Pellanda reuniu crônicas que saíram publicadas no site Vida Breve, nas revistas TopView e Suplemento Pernambuco e na Gazeta do Povo, de 2010 a 2013.
Escritas para serem lidas no “dia seguinte”, as crônicas reunidas ganham uma coesão que foi, de certa forma, premeditada pelo autor. “Uma crônica tem vida própria. Mas você percebe que o leitor que te acompanha cria ligações entre os personagens e a partir dessas respostas é possível chegar a uma unidade”, explica.
Em Asa de Sereia, desde a crônica inicial em que reflete sobre a morte ao observar o voo de um grupo de garças até a última em que narra o infortúnio supremo de um sabiá – o pássaro fetiche dos cronistas – o jogo de velar e desvelar das narrativas urbanas de Pellanda obedece à regra de Goethe para a escrita de ficção: “tudo o que escrevi, vivi, mas não como eu escrevi”.
Há figuras e espaços urbanos recorrentes e encantos de alquimia verbal, próprios de um narrador habilidoso que amadureceu como cronista para criar sua voz própria de contador de histórias e que usa seus truques para criar um universo em que as coisas não são o que aparentam ser.
“Tudo aquilo aconteceu. Eu acabo acrescentando e tirando detalhes. O leitor sabe que é aquela cidade, são aqueles lugares”, revela, sobre narrativas que ocorrem na praia de Guaratuba, no bairro Capão Raso e no centro de Curitiba.
Cintura
Pellanda conta que aprendeu a ler com os grandes cronistas brasileiros do século 20 e diz perceber que o gênero tem conquistado espaço no mercado editorial, até pela facilidade que esse tipo de narrativa tem para ser compartilhada nos suportes virtuais. “É um potencial que não podemos desperdiçar. Como diz o [cronista e companheiro de editora] Humberto Werneck, a crônica é como o futebol: ela não é brasileira, mas aqui ela ganhou uma cintura”, observa. 
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